O QUE É QUALIDADE NA EDUCAÇÃO SUPERIOR? – Fema

Há épocas do ano em que são publicados nos meios de comunicação índices que atribuem qualidade ao ensino superior no Brasil. Esses índices são gerados por meio de métricas e padrões estabelecidos pelo Ministério da Educação.

Essa forma da medir a qualidade é muito questionada porque nem sempre atende os requisitos estabelecidos pelo mercado. A qualidade é definida por Joseph Moses Juran (conhecido como segundo pai da Revolução da Qualidade) como adequação ao uso. Nesse conceito, adequação ao uso, obviamente, não significa o uso do Ministério da Educação, mas, sim, dos clientes, pessoas físicas e organizações de todos os tipos. Além dos índices do Ministério da Educação, a também os vinculados a Conselhos Profissionais, como a OAB, CRC e outros.

Sempre que esses índices são divulgados, há uma corrida para verificar o quanto acima da média ou o quanto uma instituição é superior à outra. Ocorre que, na maioria dos casos, as diferenças são migalhas, centésimos. A superação em um dos índices não significa que o mesmo padrão ocorre nos demais. Ex. obter um IGC contínuo superior, não altera o CI (conceito institucional) obtido por avalições presenciais do Ministério da Educação. As avaliações são controversas e cada instituição de ensino pode divulgar aquele índice que mais lhe convêm.

Infelizmente, a busca contínua para superar os índices de qualidade, impostos pelo Ministério da Educação, acabam exaurindo recursos que poderiam ser aplicados, segundo o conceito de Juran, na adequação dos cursos às necessidades do mercado.

Ainda é um desafio a plena integração academia x empresa. A busca por essa integração deve ser contínua. Cabem as instituições se ensino adequarem seus processos educacionais com foco efetivo no aprendizado. Ainda muito tempo é desperdiçado com processos e atividades que não agregam valor a aprendizagem. Tal situação deverá ser superada com o emprego de novas tecnologias educacionais. Por outro lado, as organizações também deverão fazer a sua parte. Ainda são muito fechadas e focadas em resultados imediatos. Não se pode exigir resultado imediato de estudantes. A grande contribuição das organizações está em permitir que acadêmicos estudem situações reais e que essas experiências os tornem profissionais mais “adequados ao uso” no futuro.

Adm. Antonio R. L. Ternes

Diretor Geral das Faculdades Integradas Machado de Assis/FEMA

Fonte: FEMA

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